Com a participação de 63 acadêmicos do curso de Direito, evento reuniu diferentes perspectivas sobre a memória, a resistência e os direitos indígenas, fortalecendo o compromisso da formação jurídica com a história e a realidade dos povos originários.
A Faculdade UnicentroMA realizou, no dia 23 de outubro, no Laboratório de Ideias (LABIN), a apresentação da segunda etapa do projeto de extensão “ALTO ALEGRE: memória, resistência e direitos indígenas – uma releitura jurídica do conflito de 1901 em Barra do Corda”. A atividade reuniu 63 estudantes da comunidade acadêmica do curso de Direito e proporcionou um espaço de diálogo, reflexão e construção do conhecimento a partir de diferentes perspectivas sobre um dos episódios mais marcantes da história regional.
O encontro contou com a participação de dois convidados que contribuíram significativamente para o aprofundamento da temática. O palestrante Robert Menezes apresentou a perspectiva jurídica do tema, abordando as possibilidades de interpretação do conflito à luz do Direito e das questões relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Já Lindoneza Pompeu Amorim trouxe a perspectiva histórica e cultural, contribuindo para a compreensão dos acontecimentos, de seus contextos e dos impactos que atravessam a memória coletiva dos povos originários.
A apresentação foi conduzida pelo acadêmico Antonio Ravick Fernandes, que também integra o projeto como pesquisador. A coordenação discente ficou sob responsabilidade de Ytôhã Pompeu, enquanto a coordenação docente é realizada pela professora Tawane Marques, que esteve presente no evento, acompanhada da professora colaboradora Siria Borges.
Mais do que uma atividade acadêmica, o projeto representa um importante movimento de aproximação entre a universidade, a memória histórica e as demandas sociais dos povos indígenas. Ao propor uma releitura jurídica do conflito de Alto Alegre, ocorrido em 1901, em Barra do Corda, a iniciativa busca ampliar o olhar sobre a história para além das narrativas tradicionalmente reproduzidas, reconhecendo os sujeitos indígenas como protagonistas de sua própria trajetória, resistência e luta por direitos.
A relevância da iniciativa também está na possibilidade de provocar novos questionamentos dentro da formação jurídica. Afinal, compreender o Direito exige reconhecer os processos históricos, culturais e políticos que constituem a sociedade. Nesse sentido, estudar a história dos povos originários não significa apenas revisitar o passado, mas compreender como suas consequências permanecem presentes e influenciam as relações sociais, institucionais e jurídicas da atualidade.
A participação expressiva de 63 acadêmicos demonstra o alcance da proposta e reforça a importância de uma formação universitária comprometida com a pluralidade de conhecimentos, a valorização da diversidade cultural e a defesa dos direitos humanos. A extensão universitária, nesse contexto, ultrapassa os limites da sala de aula e transforma o conhecimento em instrumento de conscientização, diálogo e intervenção social.
O que se constrói a partir de iniciativas como essa vai muito além de uma apresentação ou de um projeto acadêmico. São sementes de uma formação jurídica mais crítica, sensível e comprometida com a realidade social. O conhecimento produzido pode resultar em novas pesquisas, publicações, ações educativas e, sobretudo, no fortalecimento da memória histórica e da luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos indígenas.
A Faculdade UnicentroMA reafirma, por meio de iniciativas como esta, o papel fundamental da universidade na produção de conhecimento, na valorização da história regional e na formação de profissionais capazes de compreender o Direito não apenas como um conjunto de normas, mas também como instrumento de transformação social.
Conhecer a história é também reconhecer direitos. Preservar a memória é fortalecer a resistência. E levar essas discussões para dentro da universidade é contribuir para que outras narrativas sejam ouvidas, estudadas e respeitadas.