No dia 9 de setembro de 2026, acadêmicos do 4º período do curso de direito da Faculdade Unicentroma realizaram uma pesquisa de campo no Centro de Convivência Fios de Prata, com o objetivo de conhecer melhor o público atendido pelo espaço e compreender suas experiências e vulnerabilidades relacionadas ao uso das tecnologias digitais e aos golpes virtuais.
Durante a visita, os acadêmicos foram recebidos pela responsável pelo Centro, Andréia, e pelos idosos participantes das atividades. O encontro inicial possibilitou a apresentação da equipe e uma conversa aberta sobre situações envolvendo mensagens suspeitas, ligações fraudulentas e tentativas de criminosos que se passam por familiares ou representantes de instituições.
Os relatos compartilhados pelos participantes demonstraram a relevância do tema. Uma das idosas contou ter sido vítima de um golpe em que o criminoso se passou por seu sobrinho e solicitou R$ 1.000,00 para retornar à cidade. A semelhança da voz utilizada pelo golpista contribuiu para que ela acreditasse que realmente estava falando com o familiar.
Outra participante relatou ter recebido uma proposta relacionada a um suposto prêmio do “Jogo do Bilhão”, em que seria necessário realizar um depósito antecipado para receber o valor. Nesse caso, a idosa desconfiou da situação e não realizou o pagamento. Uma terceira participante também relatou já ter sido vítima de um golpe, mas preferiu não compartilhar detalhes.
Conhecendo a realidade do público
Após a conversa com os idosos, a equipe também entrevistou Andréia para compreender melhor o perfil dos frequentadores e sua relação com as tecnologias. Segundo as informações levantadas, todos os participantes possuem acesso a aparelhos celulares, enquanto o Centro conta com aproximadamente 400 idosos cadastrados e uma média de 200 frequentadores por mês.
Nos dias de atividades realizadas no salão, a frequência costuma variar entre 70 e 80 participantes. A maioria reside nos bairros Trizidela e Cerâmica, devido à proximidade com o espaço.
Durante a entrevista, também foram discutidas diferentes modalidades de golpes, entre elas o chamado “golpe do amor”, que pode envolver estratégias de manipulação emocional para conquistar a confiança das vítimas.
A equipe identificou a importância de considerar aspectos sociais e emocionais na abordagem do tema, especialmente diante dos relatos sobre solidão, distanciamento familiar e outras situações vivenciadas por parte do público atendido. O Centro conta ainda com atendimento psicológico, serviço bastante procurado pelas frequentadoras.
Próximas etapas terão participação dos idosos
A partir das informações coletadas durante a pesquisa de campo, a equipe concluiu que a próxima etapa do projeto deverá ir além do formato tradicional de palestra.
A proposta é desenvolver uma ação educativa mais dinâmica e participativa, apresentando informações sobre os principais tipos de golpes virtuais, sinais de alerta e formas de prevenção. Entre as atividades planejadas estão jogos de perguntas e respostas e outras dinâmicas que permitam aos idosos compartilhar conhecimentos e experiências.
A iniciativa busca valorizar o protagonismo dos participantes, estimulando o diálogo e a participação durante as atividades.
A primeira visita foi fundamental para que a equipe conhecesse de perto a realidade do público e pudesse adaptar as próximas ações às suas necessidades. A experiência também reforçou a importância de promover educação digital para a terceira idade, contribuindo para que os idosos tenham mais informação e autonomia diante dos riscos presentes no ambiente virtual.